Um conjunto de evidências cada vez mais robustas aponta que estruturas do cérebro passam por transformações resultantes do impacto da pandemia sobre a mente.
A expressão “cérebro pandêmico” batiza a nova confirmação. Por trás das alterações está a exposição cerebral de forma permanente e duradoura ao cortisol, hormônio liberado em situações de estresse.
“O conjunto de fatores que afetam a saúde mental e geram depressão e ansiedade é o que estamos chamando de cérebro pandêmico”, diz Michael Yassa, neurologista do Centro de Neurobiologia da Aprendizagem e Memória da Califórnia, nos Estados Unidos.
“Por meio de exames de imagem de pessoas socialmente isoladas, detectamos mudanças no volume das regiões temporal, frontal, occipital e subcortical, assim como no hipocampo e na amígdala”, relata Barbara Sahakian, neuropsicóloga, da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.
“Níveis elevados e prolongados de cortisol foram associados a transtornos de humor e encolhimento do hipocampo”, completa. O hipocampo é uma das áreas do cérebro que participa do processamento da memória. Lapsos na memória estão entre as queixas mais comuns na pandemia.


