Como o cérebro reage ao estresse gerado pela epidemia da Covid-19?

A pandemia desencadeada pelo novo coronavírus submete a população mundial a um estado de alerta crônico que pode afetar o funcionamento cerebral e o sistema imunológico, segundo a neurocientista francesa Catherine Belzung, professora da Universidade de Tours.

O cérebro é ativado em permanência para sinalizar que existe um risco iminente. Há regiões, como o hipocampo, que atuam na memorização dessa situação de perigo e de sua contextualização, e outras, como a pré-frontal, que vão regular a resposta cerebral gerada pela amígdala e o hipocampo. Esse circuito de três regiões, diz a pesquisadora francesa, são essenciais para o equilíbrio cerebral. “Quando a situação se torna crônica e se repete, começamos a observar mudanças no cérebro. As regiões pré-frontais serão menos eficazes e também há uma diminuição do volume”, detalha.

O estresse permanente também desencadeia a produção de alguns tipos de hormônios, como o cortisol. “Quando o stress é crônico, o nível de cortisol não pode voltar ao estado inicial e continua elevado de forma permanente, porque não tem tempo de descer entre duas situações estressantes. Em um nível elevado de forma constante, ele é extremamente perigoso para o cérebro”, lembra a pesquisadora francesa.

Veja também: