O meduloblastoma é o tumor maligno mais comum do sistema nervoso central em crianças, embora também possa ocorrer em adultos. Localizado geralmente na região do cerebelo, ele é classificado como um tumor embrionário, de crescimento rápido e com potencial de disseminação pelo líquor.
A evolução no entendimento biológico e nos recursos terapêuticos tem transformado o prognóstico desses pacientes, tornando o diagnóstico precoce e o tratamento multidisciplinar fatores decisivos para melhores resultados.
Sintomas e diagnóstico
Os sintomas variam conforme a localização e o grau de obstrução do líquor. Entre os mais frequentes estão:
- Cefaleia persistente, pior pela manhã.
- Náuseas e vômitos, relacionados à hipertensão intracraniana.
- Ataxia e desequilíbrio, devido ao acometimento cerebelar.
- Alterações visuais, como diplopia, por compressão de nervos cranianos.
O diagnóstico envolve ressonância magnética de crânio e coluna, exame fundamental para identificar a extensão tumoral e possíveis metástases via líquor. A análise do líquido cerebrospinal (punção lombar) também faz parte da avaliação inicial.
Abordagem cirúrgica
A cirurgia é a primeira etapa do tratamento, com objetivo de remover o máximo possível do tumor sem causar déficits neurológicos permanentes. A ressecção completa, quando viável, está associada a melhor prognóstico.
O avanço das técnicas de neuronavegação, microscopia de alta resolução e monitorização neurofisiológica intraoperatória tem aumentado a segurança e a precisão da cirurgia, reduzindo complicações.
Tratamentos complementares
Após a cirurgia, o tratamento inclui:
- Radioterapia craniospinal: padrão no controle da disseminação da doença.
- Quimioterapia adjuvante: aplicada em protocolos combinados, principalmente em crianças e jovens adultos.
- Terapias-alvo e biologia molecular: estudos recentes identificaram subgrupos moleculares do meduloblastoma (WNT, SHH, grupo 3 e grupo 4), cada um com prognóstico e resposta ao tratamento distintos. Essa classificação molecular é hoje parte essencial na definição terapêutica.
Prognóstico e qualidade de vida
O prognóstico depende da idade, extensão da ressecção, presença de metástases e perfil molecular. Pacientes do subgrupo WNT, por exemplo, apresentam taxas de sobrevivência superiores a 90% em cinco anos, enquanto outros subgrupos, como o grupo 3, possuem prognóstico mais reservado.
O acompanhamento de longo prazo é fundamental, não apenas para controle da doença, mas também para manejo dos efeitos colaterais de radiação e quimioterapia, como déficits cognitivos, endócrinos e motores.
Conclusão
O tratamento do meduloblastoma evoluiu de forma significativa nas últimas décadas. A cirurgia segura e eficaz, associada a protocolos modernos de radioterapia e quimioterapia, tem aumentado as taxas de sobrevivência e permitido melhor qualidade de vida. A classificação molecular abriu caminho para terapias cada vez mais individualizadas, trazendo esperança de tratamentos mais eficazes e menos tóxicos.
Referências
- Northcott PA, Robinson GW, Kratz CP, et al. Medulloblastoma. Nat Rev Dis Primers. 2019;5(1):11.
- Gajjar A, Robinson GW. Medulloblastoma — Translating discoveries from the bench to the bedside. Nat Rev Clin Oncol. 2014;11(12):714–722.
- Schwalbe EC, Lindsey JC, Nakjang S, et al. Novel molecular subgroups for clinical classification and outcome prediction in childhood medulloblastoma: a cohort study. Lancet Oncol. 2017;18(7):958-971.


