A hérnia de disco cervical ocorre quando parte do núcleo pulposo do disco intervertebral se projeta para fora de sua posição normal, comprimindo raízes nervosas no pescoço. Isso pode gerar dor irradiada para o braço (cervicobraquialgia), fraqueza muscular ou formigamento. Saber identificar quais casos se beneficiam de tratamento conservador e quais necessitam de cirurgia é fundamental para evitar procedimentos desnecessários e prevenir complicações neurológicas.
1. Diagnóstico e sintomas
Pacientes que apresentam dor irradiada para o braço, fraqueza nos membros superiores ou alterações de sensibilidade devem ser investigados com ressonância magnética da coluna cervical, exame capaz de confirmar a presença e o grau da compressão nervosa. Estudos mostram que até 83% dos casos de radiculopatia cervical melhoram com tratamentos não cirúrgicos, como fisioterapia, analgesia e ajustes posturais.
2. Indicações cirúrgicas
A cirurgia é recomendada principalmente quando:
3. Técnicas cirúrgicas disponíveis
A Discectomia Cervical Anterior com Fusão é a técnica mais utilizada para hérnia de disco cervical com instabilidade ou degeneração discal significativa. Nela, o disco é removido e o espaço é preenchido com um espaçador preenchido de enxerto ósseo autólogo ou sintético, promovendo a fusão das vértebras. Essa abordagem oferece altas taxas de sucesso, estudos indicam entre 66% e 98% de melhora significativa da dor e função.
Artroplastia Cervical (Prótese de Disco)
A artroplastia cervical preserva o movimento do segmento operado, substituindo o disco danificado por uma prótese móvel. É indicada em casos sem instabilidade significativa e quando há interesse em manter a mobilidade natural da coluna. Pesquisas mostram resultados funcionais semelhantes à artrodese em médio prazo, com menor risco de degeneração dos níveis adjacentes.
Procedimentos como a Percutaneous Endoscopic Cervical Discectomy (PECD) e a Full-Endoscopic Cervical Surgery (FECS) são opções minimamente invasivas. Essas técnicas permitem a remoção da hérnia por pequenas incisões, com menor trauma tecidual, menos dor no pós-operatório, menor tempo de internação e retorno mais rápido às atividades, mantendo taxas de sucesso superiores a 85%.
Conclusão
A hérnia de disco cervical deve ser tratada de forma individualizada. O tratamento conservador continua sendo a primeira escolha na maioria dos casos, mas quando há persistência dos sintomas ou comprometimento neurológico, a cirurgia torna-se necessária. Com os avanços atuais, o paciente conta com opções que vão desde técnicas tradicionais, como a artrodese, até alternativas modernas como a artroplastia e a cirurgia endoscópica, permitindo resultados eficazes e recuperação mais rápida.


